quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Não aprendendo com a Vovó

Se você já se sentiu sacaneado por alguém que você deveria se sentir lembrado, amado, curado, atropelado, remediado... Amém! Você vai entender esta história. Afinal de contas, quem nunca se sentiu um lesado que não me atire a primeira pedra.
Tá, nem todo mundo entende de começo... Mas vamos rir mais um pouquinho com os mais bizarros contos de Família.




Se você acha que Netas criadas por avós são dedicadas a cozinha, amorosas, boas donas de casa e exeqüentes esposas para os seus filhos ESQUECE! Eu sou uma exceção pergunta ao meu namorado que ele te dará certeza disso!
E esta história que avós são bondosos carinhosos e que não querem te atropelar também é mentira. Até o Aurélio sabe! Ai que Piada imbecil, ainda para um dia de escrever estes troços patéticos.  Eles podem ser o seu pior pesadelo de Infância. Claro que só na infância, porque quando você vira adulto e como a maior parte das famílias brasileiras  canonizam os entes queridos sem a autorização da igreja católica, você pode ser influenciado pelo seu meio social a achar que nada de errado aconteceu.
Calma gente.. eu não sou Anarquista, só pouco realista.
Mas vamos deixar a política da vida de lado e ir para o conto engraçado.



Eu devia ter por volta de uns 7 anos, idade difícil, meio paranormal Mas deixa esta história para depois. E um dia pedi para minha falecida avó Ariette:
- Vó, me ensina a cozinhar!
Foi este o momento chave, onde ela se sentiu poderosa em obter uma pequena escrava de 7 anos em suas mãos. Percebi que ela pensou um pouco e acrescentou:
- Claro Paulinha... Mas aprender a cozinhar é algo que só podemos aprender  depois que aprendemos algumas outras coisas.
Não sei se vocês estão conseguindo entender a gravidade desta história o quanto vai ser trabalhoso para esta menor aprendiz conseguir aprender o que quer... Mas vamos prosseguir.
A pequena Paula ficou saltitante e estava prestes a correr para a rua e contar para todas as amiguinhas, até que a querida Vovozinha acrescenta:
- Começando por lavar a louça.
Tá vamos imaginar... o céu naquele momento não poderia ser o limite para a quantidade de louça que havia na pia. Naquele dia a pequena Paula não conseguiu nem comer com as outras pessoas da casa, quem dirá mexer uma panelinha de arroz. Se mexe o arroz? Não se mexe!
Como era época de férias perto das festas de final de ano a querida vovó queria deixar a casa organizada e a menor aprendiz nos dias seguintes aprendeu a lavar janela, passar cera no chão, varrer a casa, tirar cotão de roupas lavadas na maquina e enfim ela conseguiu CATAR FEIJÃO!
O catar feijão foi só uma jogada de marqueting, está escrito assim pois na época minha avó não sabia o que era marketing pois foi o mais perto que ela chegou da ajuda no preparo de uma comida. Naquele ano ela não aprendeu nada, nem nos anos que viarem depois.
E ainda hoje reclamam do teto que ela queimou da cozinha quando resolveu fritar batata frita, do ovo que se espatifou quando ela achou que era necessário brincar de tiro ao alvo para fazer um ovo frito ou então do arroz sem gosto, do medo da panela de pressão afinal de contas só temos medo do que não conhecemos  do bolo de chocolate que fica com gosto de lama, do manjar que vira sorvete de coco e do bolo de microondas que virou lustrador de taco, do musse que virou sorvete e até hoje eu me sinto lesada.

Será que se eu pedir com carinho meu anjo da guarda me ensina a cozinhar?
Pois se minha avó que foi canonizada "familiarmente"  não foi capaz de me ensinar a cozinhar... FUDEU! Meu futuro marido vai ter que cozinhar e cuidar dos cinco filhos enquanto eu trabalho que nem uma escrava para sustentar a casa. Nasci na época errada, eu devia ser como a minha tataravó uma nega mina quem sabe assim eu saberia fritar feijão!

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